Nem sempre uma entrevista ruim é uma entrevista ruim


Uma comédia bem divertida está passando no Telecine. Chama-se Morning Glory. A produtora de televisão Becky Fuller (Rachel McAdams) é uma jornalista e produtora de um jornal local. Demitida, formada numa escola de 2a linha, ela vai à luta procurando emprego e consegue trabalhar no Daybreak, um programa matinal com péssimos índices de audiência.

A personagem então tenta mudar o histórico do Daybreak, contratando um âncora de TV renomado, Mike Pomeroy (Harrison Ford), mas o cara é uma prima donna e se recusa a noticiar os temas que fazem parte da agenda do programa. Além disso ele tem problemas de relacionamento ao lado da “parceira” Colleen Peck (Diane Keaton).

Mas para esse blog, o que nos interessa mais é o processo de entrevista da personagem Becky Fuller com o suposto Diretor Geral da rede de TV. Interpretado pelo eterno “homem mosca” Jeff Goldblum, a entrevista da heroína com o carrasco é hilária.

Mas cheia de lições.

Quais?

Veja o filme.

Mas posso antecipar aqui.

  • Falar demais na entrevista.
  • Falar aquilo que o entrevistador não quer ouvir.
  • Tentar vencer pela emoção e não por argumentos objetivos.

Veja o filme. Além de hilário, é uma aula de como não se comportar numa entrevista. Mas que nesse caso, deu certo. A heroína foi contratada.

Viva hollywood!!

Claro… e se você se deparar na vida real com um entrevistador como esse?

O melhor caminho é ser você mesmo. Mas tenha sempre em mente o seguinte: alguém lhe contrata pelos motivos dele, e não necessariamente pelos motivos que você julga serem os mais relevantes. O importante é entender o que seu entrevistador, ou a pessoa chave nesse processo, quer do candidato em questão.

Tarefa difícil. Vamos abordar isso nos próximos posts.

Vamos em frente.

O pior chefe que ela já teve


O site CBS Money Watch apresenta um post assinado por uma colunista – Margaret Heffernan – intitulado “O Pior Chefe Que eu já Tive” (The worst boss I ever had).

No post a colunista conta que já teve um chefe chamado Hugh (Hugo, para nós) que era um péssimo chefe.

E ela ensina:

1. como identificá-los;

2. como lidar com eles.

De acordo com a colunista, chefes como Hugo apresentam as seguintes características:

– Vaidoso;

– Desorganizado;

– Exibicionista;

– Indeciso;

– Desonesto (ou mulherengo, se preferirem).

Como lidar com eles? As dicas da autora são:

i. entregue o melhor que você puder;

ii. encontre uma área de desenvolvimento pessoal;

iii. não ataque Hugo;

iv. procure outro emprego.

E aí, muitos Hugos pelo caminho? Tá cheio por aí…

O link é http://www.cbsnews.com/8301-505125_162-57411200/the-worst-boss-i-ever-had/?tag=nl.e713.

Siga em frente.

Perguntas difíceis, respostas simples


Semana passada a Exame.com publicou um curioso artigo baseado em post que saiu no Wall Street Oasis – site que fala sobre recrutamento em Wall Street – sobre perguntas ofensivas em entrevistas de emprego.

Algumas perguntas:

“Se eu disser que a única maneira de você conseguir esse emprego é me deixar dormir com a sua namorada, você aceitaria?”

“Você ainda não recebeu uma oferta de emprego? Qual o seu problema?”

“Qual parte do seu currículo é a maior besteira?”

“Você vai trabalhar 110 horas por semana aqui, você consegue suportar isso?”

Esse estilo aparentemente mais agressivo é comum lá. E começa a tomar forma aqui.

De qualquer forma as entrevistas de emprego – e se você ainda não está acostumado a elas, vai se preparando – aborda três conjuntos de perguntas:

i. Seu emprego atual/anterior: O que você fazia (ou faz)? Por que você saiu (ou quer sair, se ainda estiver por lá)? O que você fez de bom lá? E o que fez de ruim?

ii. Seu emprego desejado: Por que quer ir trabalhar na empresa que está lhe entrevistando? O que poderá fazer de melhor lá? Qual a pretensão de remuneração?

iii. Seus dados pessoais: O que gosta de fazer nas horas livres? Como as pessoas lhe avaliam? Quais suas características sob pressão?

Em alguns casos, principalmente quando o entrevistador for dos bons, ele não faz a pergunta diretamente, mas dá corda para você embarcar e contar suas história e aspirações.

Trabalhei muitos anos em consultoria de alta gestão. É comum nesse segmento os “cases”. Durante a entrevista o entrevistador lascava: “qual a frota de aviões comerciais voando no Brasil?”. Ou então: “quantas padarias temos no Brasil?”. Ou ainda aquela mais engraçadinha: “quantas listras pretas tem uma zebra?”. (se você ficou curioso, no final do texto você encontra a fronta brasileira de aeronaves comerciais; sobre padarias e zebras, nem procurei…)

Essas perguntas eram testes que visavam (e ainda visam) avaliar muito mais a forma de raciocínio e a maneira de se chegar ao resultado, do que propriamente o resultado em si. Atualmente o entrevistado provavelmente perguntaria: posso abrir o iPad e responder?

Mas particularmente eu acho que as perguntas mais difíceis são aquelas mais triviais. Por exemplo, quando perguntam por que você saiu ou quer sair do seu emprego. Ou a clássica pergunta: quais seus três defeitos. Aliás, essa pergunta é a mais desagradável. A tendência é o candidato usar qualidades como defeitos. Mas certa vez uma diretora de recursos humanos fez duas perguntas diferentes, tentando encontrar essa resposta:

– “Qual a sua pior experiência com algum subordinado?”;

– “O que seus colegas falariam sobre você?.

Enfim, concluindo esse blá blá blá todo, minha sugestão é sempre usar da verdade. De forma tranquila, ponderada, sem ansiedade mas sem sonolência.

E principalmente estar preparado para todas as perguntas. Cada processo de entrevista é único, e seu entrevistador pode estar naqueles dias mal-humorado, e não ter paciência com respostas muito rebuscadas ou pouco objetivas. Acho que falar sempre a verdade, de maneira objetiva e franca, é o melhor caminho para criar uma atmosfera agradável e uma relação de confiança.

***

Links com assuntos do mesmo tema.

O site que reuniu todas essas perguntas é esse:
Se quiserem saber mais algumas perguntas, tem várias muito boas:
A frota aérea brasileira atualmente é de 425 aeronaves – fonte: http://www.fsdownload.kit.net/aviacaocomercial/frotas.htm

Preparando-se para uma entrevista


Um dos momentos mais importantes no processo de busca de emprego é a entrevista.

Especialmente para jovens, com pouca vivência no tema, a entrevista é um momento de certo estresse.

O site CBS News em sua seção Money Watch publicou um post com nove dicas para quem vai dar uma entrevista.

Aqui eu reproduzo essas dicas e coloco um pouco de tempero com as minhas.

O link original é http://www.cbsnews.com/8301-505125_162-57450010/9-tips-to-prepare-for-a-job-interview/?tag=nl.e713.

Enjoy it.

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Check Twitter one last time.
O artigo sugere que antes da entrevista você leia o web site da empresa (isso me parece meio óbvio, você tem que conhecer a empresa) e também leia o twitter dela. Isso é uma dica legal, pois no twitter as notícias são atuais e qualquer movimentação relevante da empresa estará lá.

Comentário: leia o twitter, a fan page do facebook, o web site. Dê um Google no nome da empresa. E fique antenado sobre tudo que está acontecendo com ela.

Check yourself out, too.
Faça uma última checagem geral em você mesmo. Uma última olhada no espelho antes de entrar na arena da entrevista. Se você está sendo entrevistado após o almoço e não teve tempo de escovar os dentes. Uma olhada se está tudo “em ordem” no visual é importante.

Comentário: sem querer parecer escatológico, nada pior do que ir para uma entrevista levando um pedaço de rúcula consigo. Para isso já inventaram aquelas escovas de dente que você dobra  e coloca no bolso do paletó, bem como uma pequena pasta de dente, dessas que parecem de estojo de avião. Chegue antes do horário marcado (cerca de 10 minutos está ótimo), e se você vem de um almoço onde não deu tempo de escovar os dentes, faça rapidinho. Aproveite e dê uma geral no visual como um todo.

Respect the front desk.
Essa dica me parece desnecessária para pessoas educadas e gestis. No artigo orienta para não destratar uma recepcionista pois ela pode servir de fonte de informação para o entrevistador. Eu sugiro apenas boas maneiras e respeito. Independente dela (ou dele) ser informante ou não. É pura educação.

Comentário: Tem um negócio que aprendi desde os tempos de consultoria. Não seja apenas educado. Seja simpático. Com todos. Procure mostrar um outro clima quando você chega nesses ambientes. Acredito que seja importante ser lembrado por todos, do recepcionista ao presidente da empresa, como uma pessoa de alto astral e positiva.

Use the bathroom beforehand.
Essa dica parece algo tão óbvio quanto ridículo. Vá no banheiro antes.

Comentário: essa era dispensável hein?

Scope out your competition.
Fique de olho na concorrência. Olhar ao lado e ver se alguém está saindo quando você chega ou chegando quando você está saindo pode ajudar a perceber com quem você está competindo nessa vaga.

Comentário: Pode também indicar como você foi na entrevista. Tempos atrás fui entrevistado numa empresa por um vice-presidente. Minha entrevista atrasou um pouco e percebi a chegada de um potencial competidor. Depois da entrevista fui ter uma conversa rápida com um dos acionistas. Na saída notei que este acionista dispensou a entrevista posterior. Isso era um bom sinal.

Check out the scenery.
Olhe em volta e capte informações do ambiente. Às vezes conversas, quadro branco, flip chart, tem informações que podem ajudar na entrevista. Por exemplo perceber algum problema que eles estão lidando naquele momento pode servir de base para você se vender melhor. Isso é o que diz o artigo da CBS News.

Comnentário: Cuidado: você não está lá para espionagem ou para bisbilhotar.

De qualquer forma na espera não deixa de perceber o ambiente, como as pessoas se vestem, como elas conversam, veja se tem revistas internas e leia. Essas coisas contam muito sobre a empresa e a cultura interna.

Get your mind revved up.
Manter sua mente acelerada. O texto aqui – se não cometo nenhuma gafe na tradução – recomenda que o candidato esteja “ligado” desde o início. Em muitas entrevistas o entrevistador forma a opinião nos primeiros minutos. Se você estrar desconcentrado e pouco ativo, pode passar uma impressão inicial que será definitiva.

Comentário: quando eu entrevisto, na maioria dos casos, em 5 minutos eu costumo saber se aquela entrevista vai prosperar ou não. Por isso estar atento e ligado na chegada é fator crítico para o sucesso da entrevista. Fique ligado.

Organize your grand entrance.
Organize sua entrada. A situação de entrevista – pelo menos inicial – é razoavelmente previsível. Então esteja preparado para ela. Entre pronto para apertar a mão de alguém, não carregue muitas coisas e se estiver carregando deixe sempre uma mão livre para cumprimentos, puxar cadeira, essas coisas. No artigo o autor lebra que um candidato estava com meias de Mickey Mouse e o desconcentrou durante toda a entrevista.

Comentário: nunca entre com as mãos cheias de coisas. Nunca! Deixe sua pasta, mochila, e outras coisas no carro ou mesmo na recepção. Na entrevista você é o foco. Quando muito leve uma pasta simples se estiver carregando seu CV para entregar. E mais nada. E por favor, meias brancas e de Mickey Mouse, nem pensar.


 

Smile like you mean it.
Sorria e demonstre confiança. Essa é a última dica do artigo na CBS Money Watch.
Demonstrar confiança, sorrir, isso ajuda a criar empatia com todos. Por outro lado o nervosismo pode deixar você hesitante, pouco confiante e passar uma imagem menos simpática.

Comentário: prepare-se, injete uma dose de confiança, abra um sorriso mas cuidado com os exageros, aperte a mão do entrevistado firmemente, demonstre segurança.


Algumas outras dicas daqui deste humilde autor deste blog:

Chegue 15 minutos antes. Não chegue uma hora antes. Além de pouco elegante, demonstra uma ansiedade enorme. Nunca, jamais em tempo algum chegue atrasado.

Ansiedade: controle ela! Fale o suficiente, não se encante com o som de sua voz.

Dress code: terno e sempre terno e você nunca será condenado por usá-lo, mesmo que for numa agência e seu entrevistador usar camiseta, calça vermelha e tênis amarelo. Na dúvida, vista algo conservador.

Antes de sair de casa, prepare-se. Tenha em mente o que falar e esteja pronto para perguntas mais que chavão: “por que você saiu do seu último trabalho; o que você espera daqui; como você acha que pode ajudar a empresa; quais suas virtudes e seus pontos fracos”. São perguntas que estão na lista de 9 entre 10 entrevistadores.

E acima de tudo: entre e saia confiante. É uma entrevista, onde além do entrevistador escolher você, você também escolhe a empresa.

E boa sorte na luta.

Vamos em frente.

A segunda pior entrevista na carreira


Esse é um espaço também para falarmos sobre carreiras. E você só começa (ou dá continuidade a) uma carreira se você é admitido em algum processo seletivo.

Nada mais estressante: o sujeito tá lá, precisando de um emprego, ou mesmo ele está empregado mas tem interesse naquela nova posição, e tem pela frente um entrevistador na frente.

Já fiz várias entrevistas. Muitas mesmo. Boa parte delas como entrevistado, outras como entrevistador.

Mas no papel de entrevistado, puxando pela minha memória, tenho várias histórias de sucesso. E outras  de fracasso. Aliás, numa rápida consulta a vários amigos, descobri que não sou o único a passar por entrevistas que seriam hilárias, não fossem trágicas. Se bem que tempos depois eu aprendi a dar muita risada sobre elas.

Mas quase nenhuma supera uma que fiz alguns anos atrás. Foi a minha 2a pior entrevista na carreira. Mas cheia de lições. Vamos a ela.

Após passar por uma primeira entrevista com um diretor-sócio-intergalático de uma grande empresa de consultoria-auditoria, ele julgou que eu era “o cara” para assumir uma função em uma diretoria da empresa, ligada a projetos de investimento em infra-estrutura por conta dos mega-eventos (Copa, Olimpíadas, essas coisinhas).

O problema: havia já um diretor-sócio na área, subordinado a esse intergalático, e claramente ele era o cara que mandava na área. Mas eu poderia fazer parte da equipe, naturalmente subordinado a ele, para ajudar nos projetos.

Sem problemas para mim. Depois de um certo período na vida você se importa mais com a conta-corrente e o tipo de trabalho que tem a fazer, do que com o cargo no cartão de visitas.

Mas antes eu teria que passar por uma entrevista com o sujeito “dono” da área. Natural. Eu não poderia trabalhar com alguém sem antes ser sabatinado por ele.

Chego no escritório do meu entrevistador no horário combinado menos 10 minutos. Aliás, cabe aqui uma dica básica: nunca atrase uma entrevista. Também não chegue uma hora antes. Isso é tão horroroso quanto atrasar.

Vamos em frente. Aguardando na sala ao lado, percebo que meu entrevistador conversa na sala dele animadamente com alguns consultores. Nove horas, nove +10, +20, finalmente ele me chama para conversar, pouco mais de 20 minutos atrasado. Deselegância da parte dele, pensei com meus botões do terninho básico. Dirigi-me para a sala dele já desligando celular e ativando o cérebro.

Antes, uma outra dica: aprendi nessa bendita vida corporativa que qualquer reunião, qualquer entrevista, qualquer evento corporativo, você tem que estar minimamente preparado para abordar os assuntos possíveis da conversa. E isso inclui uma profunda análise na empresa em questão. Uma boa “googleada” vai ajudar. Não fique apenas no web site. Procure notícias recentes da empresa, veja o que fala seus executivos na mídia, quais os últimos movimentos, essas coisas.

Além disso, uma entrevista é antes de tudo um evento de 40 minutos, uma hora, que pode mudar sua vida profissional. Portanto é importante uma total concentração. Imagino como um lutador de UFC, tirando as porradas físicas, claro. Ou seja, cada palavra, cada gesto, cada pergunta que você fizer, conta tanto quanto cada resposta dada e pode significar a diferença entre avançar no processo, ou morrer ali.

Já me dei mal em excelentes oportunidades exatamente por não seguir essa lição.

Em frente ainda. Entrei no octógono da entrevista. Eu e meu entrevistador, frente a frente.

Depois do quebra-gelo inicial – bom dia, como vai, tudo bem, bla bla bla, sempre dirigido por ele (não esqueça, você é o entrevistado, logo o entrevistador comanda o show.

Ele termina as preliminares e ele pára olhando atentamente ao meu currículo.

– Quer dizer que você é economista? Não gosto de economistas. Não gosto de trabalhar com eles!

Ainda achando que se tratava do “quebra-gelo” ou algum tipo de brincadeira, eu sorri e perguntei passando um pouco mais a fronteira da formalidade que uma reunião dessa merece:

– Nossa, você não gosta por causa dos diversos planos econômicos do Governo ou por outro motivo?

E ele respondeu fazendo questão de deixar claro que não estava brincando:

– Não gosto mesmo! Prefiro engenheiros. Eles são mais cartesianos. E bla bla bla bla….

Após me recuperar rapidamente da porrada no fígado e quase ouvindo a galera de fora do octógono vibrando com a minha dobrada de joelhos, adotei o tom novamente sério e o rosto firme, olhando nos olhos do meu agora não mais entrevistador, mas quase um adversário.

– Bom, então vamos ter um problema. Taí um negócio difícil de eu mudar no meu cv…

Bang! A resposta pode até ter sido boa, meu agora adversário tinha sentido o golpe, mas para o bom andamento da entrevista, tinha sido um desastre. Confrontar o senhor dos aneis naquele momento, com menos de 5 minutos de jogo, foi considerado movimento proibido pelo adversário – que acumulava a função de árbitro do encontro – e sujeito a desqualificação.

A partir daí azedou de vez. Eu tentei recuperar o controle do processo – assunto para outro texto – mas não conseguia. Claro, o fato do entrevistador falar coisas que eu não conseguia entender não ajudou muito o processo. Ele foi para um quadro branco e – entre claros sintomas de arrogância aguda e pouca modéstia – começou a desenhar a maneira como ele via a oferta de serviços de consultoria para os grandes gestores dos mega-eventos e entrou num consultês que até para mim – que tenho algum tempo na área – passou a ser uma conversa de louco. Eu procurava insistentemente as legendas na parte de baixo da tela. Em vão…

Em quase todos os casos a conversa sempre caía para o tema dos “pouco competentes economistas” que por sinal, era o meu caso. Quase patológico…

Mas o gran finale estava ainda por vir. Após quase duas horas numa conversa nonsense, onde metade do tempo foi ele tentando me provar que engenheiros são melhores profissionais que economistas, e na outra metade falando coisas absolutamente sem sentido para mim, ele soltou essa:

– Vicente, seu currículo é muito bom, mas eu preciso pensar um pouco mais; tenho uma viagem semana que vem para Dubai, outra depois para a Europa em nossa reunião mensal da rebiboca da parafuseta, mas quando eu voltar eu gostaria de outra conversa com você. Nesse tempo você poderia fazer um cv mais completo e me enviar para eu estudar melhor?

Eu já estava sem muita paciência, e coloquei a última pá de cal sobre meu processo:

– Fulano, você me desculpa, mas eu já entrevistei muita gente e também já fui entrevistado por muitos. Geralmente eu sei se eu quero trabalhar com um candidato nos primeiros cinco minutos da conversa. Dali prá frente serve apenas para eu aprofundar meu conhecimento sobre ele ou arrumar uma maneira de acabar a conversa elegantemente. Se você ficou aqui duas horas comigo conversando e ainda tem dúvidas, é porque a gente não vai se dar bem trabalhando.

Dito isto, levantei-me, estendi a mão e segui minha vida. Tempos depois soube que o sujeito tem sérios problemas com sua equipe e com alguns de seus pares, além de problemas de resultado. Mas ele continua lá, inclusive com direito a promoção e tudo o mais. Ironias da vida corporativa.

***

As lições desta conversa:

i. não entre em confronto com seu entrevistador; não vai ajudar;

ii. não leve para o lado pessoal; qualquer feed back do lado de lá deve ser assimilado e não tirar você do seu foco; respostas emocionais levarão a um terreno onde você pode não saber jogar e o desviarão do seu objetivo central;

iii. por falar nisso, tenha sempre em mente qual o seu objetivo naquela reunião; nada deve tirá-lo desse objetivo; como em qualquer plano de jogo, se as condições do campo ou do seu adversário mudarem, você tem que saber mudar sua tática;

iv. qualquer entrevistador vai contratá-lo pelos motivos “dele” e não pelos seus motivos. Então, se ele não gosta de algo no seu histórico, cabe a você provar a ele que isso não seria um obstáculo para atingir os resultados “dele”.

Difícil? Bastante. Mas nem sempre as coisas funcionam do jeito esperado. E no limite, se tudo der errado e você for “gongado”, vale a pena pensar no seguinte: por mais que você quisesse aquela posição, trabalhar com alguém que você não tem empatia pode ser algo muito ruim prá sua carreira no médio prazo. Então há males que vêm prá bem.

Vamos em frente!

Correr atrás de emprego ou fazer o emprego correr atrás de você?


A Veja dessa semana apresenta uma matéria na capa com o título Contratado! Como fazer o emprego correr atrás de você (edição 2270, de 23 de maio; não consegui o link mas quando tiver eu carregarei aqui).

A revista mostra 8 características do profissional mais cobiçado no mercado:

  1. Engenheiro civil;
  2. Ter uma pós-graduação ou um MBA em finanças;
  3. Estudou ou trabalhou no exterior;
  4. Já fez (ou faz) algum tipo de trabalho voluntário;
  5. Cursou um MBA em gestão de projetos;
  6. Fala inglês, espanhol e tem noções de mandarim;
  7. Pelo menos 10 anos de atuação no mercado;
  8. Não se importa em morar em lugares distantes.

Acho a matéria (e a lista acima) interessantes mas atingem principalmente aqueles profissionais na casa dos trinta e poucos anos, com alguns anos já de mercado. Para quem é mais jovem, dois anos de formado por exemplo, a lista é um tanto fora de contexto. E para quem é mais – digamos – jurássico (ou “senior” para ser elegante comigo mesmo), ela não faz o menos sentido.

Falando então para os mais jovens. Você aí que se formou ano passado, ou dois, três anos atrás. O que eu diria?

Os itens 2, 4, 6 (falar lígua inglesa e espanhola hoje infelizmente é básico no mundo corporativo) e 8 são coisas que estão no seu raio de influência. Estudar ou trabalhar no exterior, vai depender de sua condição financeira ou às vezes a sorte de trabalhar numa empresa que lhe ofereça isso. Ter 10 anos de atuação no mercado, é questão de tempo.

Mas a lista é controversa e acho que restrita. Imagine falar para um jovem que acabou de se formar em Marketing: cara, sorry, mas você deveria ter feito engenharia civil. Uma coisa é um mercado HOJE demandando muitos engenheiros (e não apenas Civil; há uma demanda enorme para engenheiro de produção, químico, mecânico, …). Outra coisa é você se formar naquilo que tem mais afinidade, gosta mais.

Conversando recentemente com um jovem recém formado em marketing, e empolgado com essa onda de muito dinheiro para investimentos em projetos de tecnologia, ele me confidenciou: “eu deveria ter estudado engenharia da computação”.

Errado! Ele deveria ter estudado aquilo que ele queria ter estudado. A chance de um profissional dar certo no mercado é tanto maior quanto for maior a afinidade e o prazer dele fazer aquilo que ele gosta.

Acredito que todas as indústrias têm oportunidades. Todos os segmentos. Da engenharia civil ao marketing. Das finanças ao esporte. Do direito à veterinária. Da medicina à arquitetura.

Mas algumas dicas – se é que eu posso me dar ao luxo de dar dicas para jovens sobre isso – modificando um pouco a lista da Veja seriam a seguinte:

  • Falar Inglês, sem dúvida. Espanhol, essencial. Outra língua? ótimo. Mandarim leva tempo. Se você tiver paciência e recursos, comece.
  • Ser “global” – como sugere a lista – é importante. Mas se você não teve a oportunidade de morar um ano na Europa, Estados Unidos ou Ásia, sugiro ler muito o que acontece lá fora. Leia a Fortune.com, leia a The Economist, leia a Wired.com. Óbvio que uma coisa não substitui a outra, mas fazendo isso vai não só manter seu inglês mais afiado como fará você ficar antenado nas novidades lá de fora.
  • Atualize seu LinkedIN, Facebook, twitter. E cuidado com ele. Hoje as empresas olham muito para seu perfil profisisonal antes de chamá-lo para uma entrevista. Um amigo headhunter me disse que hoje antes de chamar alguém para uma entrevista eles procuram a pessoa na rede, o que ela fala, o que ela pensa. É importante você estar conectado, e muito importante você estar adequadamente conectado (curiosamente ou ironicamente este que vos escreve está com sua página no LinkedIN desatualizada; vou resolver isso brevemente).
  • Tenha seu network atualizado e “aquecido”. Ou seja, troque informações de vez em quando com toda a sua rede.
  • E mais que ter um network atualizado, faça as pessoas te acharem. Esteja nos eventos corporativos, faça coisas importantes, divulgue – de forma contextualizada, claro – seus projetos, seus resultados. Faça ser visto de forma elegante. Não fique dentro de uma concha. Ninguém te verá lá dentro.
  • E acima de tudo: paixão! Hoje em dia o mercado é muito competitivo. Boas escolas, falar outras línguas, estar conectado, isso é algo que muita gente já tem. Mas paixão pelo que faz? Poucos, muito poucos.

Isso ajuda? Acredito que sim.. E na hora que acontecer uma chamada de entrevista, aí é com você.

E assunto para outro post.

Vamos em frente.