Workaholic: ser ou não ser, eis a questão


Flickr, crédito Hardleers

Um negócio que está em certo desuso no mercado corporativo é a imagem do sujeito workaholic.

Lembrando (ou esclarecendo para os mais jovens): na década de 80 e um tanto na década de 90, era muito difundida a ideia de que o sujeito tinha que trabalhar muito, mas muito. O resultado pouco importava. Daí surgiu a expressão “workaholic”, derivado do alcoólatra, aquele viciado na bebida, o workaholic é viciado em trabalho.

Alguns associam isso à filosofia calvinista, onde não há espaço para a ociosidade e a prosperidade se atinge através do trabalho. Logo, se eu trabalhar 16 horas por dia atingirei a prosperidade duas vezes mais rápido que se eu trabalhar 8 horas por dia.

Bobagem…

Mas alguns não têm jeito. O intenso processo de redução de custos (inclusive de pessoal) nas empresas está fazendo hoje em dia pessoas trabalharem por duas, às vezes por três. Esses são aqueles que chegam cedo, saem tarde e quando chegam em casa estão tão esgotados que não conseguem curtir o filho, a esposa (ou marido), o cachorro, o seriado na tv, …

E outros? Têm aqueles que precisam provar que trabalham muito. Seja por uma síndrome de pouca efetividade, seja por culpa, seja por algum tipo de sociopatia, existem pessoas que gostam e até se vangloriam de trabalharem muitas horas. Muitas!

Tempos atrás conheci um desses. Era curioso porque chegava a me mandar trabalhos repetidos, apenas com algumas variações no texto. Me lembrava o dilema eficiência versus eficácia. Trabalhava muito, gerava sempre conteúdo interessante, mas muitas vezes não era usado prá nada. Ora, por que não usar esse tempo para curtir com o filho?

Voltando mais no tempo trabalhei com um ex-Mckinsey que adorava long hours. Marcava revisão de relatório às 19 horas, se atrasava uma hora, chegava e jogava conversa fora e às 21 horas começava a rever o relatório. Como um bom consultor de gestão, apesar do relatório estar correto e comunicar adequadamente a mensagem, tínhamos que refazê-lo, porque não estava no jeito do amigo mackinseyano. E ele fazia questão de ficar até o fim. Ou seja, saia, 11 da noite, meia noite. No dia seguinte, não conseguia chegar antes das 11 da manhã.

Pergunto: é produtivo?

Entretanto existe o outro lado da moeda. Felizmente (ou infelizmente) hoje em dia estamos 100% conectados. E muitas vezes sou pego tomando um bom e velho esporro da patroa por estar respondendo emails no meio de um jantar. Emails profissionais, claro.

A onipresença tecnológica nos permite estarmos conectados 24×7. E é muito tentador poder responder numa sexta-feira à noite. Alguém pode usar aquela informação no sábado. E possivelmente irá.

Além disso é comum – para algumas pessoas, eu sou uma delas – levar trabalho para casa no fim de semana. Um domingo à noite organizando agenda, fazendo aquele negócio que foi deixado de lado na sexta-feira à tarde, programando a semana, é útil e agiliza a retomada da semana.

Existem ainda os que nunca desligam, mesmo nas férias. Eu por exemplo não me importo quando saio de férias ligar para o trabalho a cada dois ou três dias para saber como estão as coisas. Outros fazem diferente. Preferem desligar completamente, e essa opção deve ser respeitada.

Então qual o ponto de equilíbrio? Ser ou não ser um workaholic?

É muito pessoal. Mas há várias questões que eu tento nortear minha tentação a trabalhar além ou aquém da hora. Vamos a elas:

  • Seu trabalho está sendo efetivo?
  • Isso que você está fazendo efetivamente deve ser feito naquele momento?
  • Suas reuniões são produtivas?
  • Você administra bem seu tempo? (aqui um especial cuidado: já vi gente que se vangloria em trabalhar muito mas fala, fala, fala muito; ou seja, é dispersivo, disruptivo… e depois precisa trabalhar à noite.

E principalmente: cuidado com os sinais de que você está estressando. E cuidado com os sinais que você está estressando alguém.

Eu particularmente acho que ser workaholic hoje em dia está fora de moda. Trabalhar muito é uma necessidade. Trabalhar mais do que precisa para demonstrar algo de pouco valor para os negócios é estupidez.

E você: já encontrou alguém que era workaholic? você é um deles? como você lida com esse tema?

Deixe aí sua contribuição. E vamos em frente.

Meu vizinho é um psicopata; e ele fala a mesma coisa


Fazia tempo que eu não fazia meus devaneios. Excesso de trabalho, preocupações demais, soluções de menos.

Mas conversando com um velho amigo essa semana, e contando as agruras da vida corporativa, ele me falou desse livro.

Meu Vizinho é um Psicopata
Autora: Martha Stout
Editora: Sextante
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Sinopse:
Você conhece algum psicopata? Pense bem antes de responder que não. Quando ouvimos essa palavra, logo pensamos em criminosos violentos, serial killers, como vemos na TV e no cinema. Mas a verdade é que nem todos eles são assim.

Psicopatia é o termo mais popular para nos referirmos à sociopatia, distúrbio que se caracteriza pela falta de consciência e que é bem mais comum do que imaginamos, atingindo uma em cada 25 pessoas.

Entre seus principais “sintomas” estão: incapacidade de adequação às normas sociais; falta de sinceridade e tendência à manipulação; impulsividade; irresponsabilidade persistente e ausência de remorso.

Para atingir seus objetivos, o psicopata é capaz de mentir, roubar, manipular e até matar sem sentir culpa alguma. Talvez seja um marido agressivo, um pai que maltrata os filhos ou um chefe que humilha os funcionários.

Embora saibam o que é certo ou errado, os sociopatas simplesmente não se importam com isso. Conhecem as regras da sociedade e entendem como nós, pessoas com consciência, agimos e pensamos – e lançam mão disso para nos manipular e circular despercebidos em nosso meio.

Com anos de experiência no atendimento a vítimas de psicopatas, a Dra. Martha Stout traça um retrato preciso desses indivíduos, explica como identificá-los e ensina 13 regras para nos defendermos da ameaça que eles representam.

Lançado em 2005 nos Estados Unidos e publicado em vários países, Meu vizinho é um psicopata se tornou uma referência sobre o assunto e ganhou o prêmio Books for a Better Life (Livros para uma vida melhor) daquele mesmo ano por sua significativa contribuição à sociedade. (fonte: Editora Sextante)

Caro amigo, quantas vezes você olhou para a sala ao lado da sua, para a mesa em frente, para aquele sujeito que entrou no banheiro um pouco antes de você, e afirmou: esse cara não pode ser normal!

A socipatia corporativa é um mal que atinge cada vez mais os executivos de plantão. E você tem dois tipos: os que sofrem do mal – e mentem, são bajuladores, tratam você muito bem quando estão próximos mas bastou você mostrar as costas para as coisas desandarem – e aqueles que sofrem as consequências dos que sofrem do mal da sociopatia. Geralmente são os que são vítimas, não sabem como lidar com o jogo corporativo, e sucumbem com uma violenta puxada de tapetes.

Como evitar? Parece aquela receita de remédio anti-concepcional. Quando a moça bonita e fogosa vai perguntar ao especialista como evitar a gravidez, uma vez que vivia “fazendo amor” com o namorado, o médico receita: suco de laranja. Ela pergunta: Antes ou depois? E ele responde: Em vez de!

Cabe o mesmo para o amigo leitor: como evitar? Não viva o mundo corporativo.

Como essa não é uma opção válida para muitos que estão na vida, recomendo pelo menos algumas dicas para identificar o nosso vizonho sociopata.

i. O cara tem um comportamento amigável com você na frente do seu chefe, mas quando estão sozinhos ele quase o ignora?

ii. É do tipo bajulador com quem aparenta ter mais poder que ele? ao mesmo tempo pisa naqueles que estão abaixo?

iii. Faz grandes atrocidades com a equipe subordinada e não esboça nenhum arrependimento?

iv. Vende o trabalho dele (e só dele) como a coisa mais impressionantemente bem feita desde as pirâmides de Gizé? e ignora (e se esconde) quando a área de sua responsabilidade apresenta um problema que quase quebra a empresa?

v. Mente tão bem que até ele acredita no que ele fala?

Pois bem meu caro: más notícias. Você está na frente de um desses casos de sociopatia corporativa.

Calma, calma… não corte os pulsos. Pelo menos você conseguiu identificar o indivíduo antes que as unhas dele fiquem cheias de farpas do tapete que você pisa.

E antes que você saia atualizando currículo, sugiro calma.

Primeiro porque aprendi que não há bem que sempre dure nem há mal que nunca termine. O sujeito em questão uma hora explode. Pode até ser que você esteja numa grande organização que permite que figuras desse tipo se escondam embaixo da mesa quando chega a crise. Mas mesmo esse tipo de organização começa a desenvolver vacinas para evitar essas figuras.

Depois, aprenda a ter calma. Entrar na pilha, cair na armadilha de perder a calma, só vai enfraquecer sua posição. Faça como manda os mais experientes: na frente da morte (ou do boçal em questão) sorria. A calma vai fazer você agir com mais naturalidade e inteligência.

Terceiro: não pense que tudo vai se arrumar naturalmente. Não vai. E se você ficar quieto vendo a banda passar vai terminar na frente de um MacBook Pro atualizando seu resumé. Faça suas alianças, tenha a organização ao seu lado, tenha seus amigos sempre próximos – e como diria Don Corleone, seus inimigos mais próximos ainda – e principalmente gere resultado e mostre o resultado. Se você ficar quieto no seu campo e não mostrar o que está fazendo, amanhã essa imagem “low profile” e pouco vendedora vai lhe custar caro.

É pouco? pode parecer… mas comece por aí.

E se tiver sugestões em como lidar com sociopatas corporativos, mande aqui nos comentários.

Vamos em frente…

Nem sempre uma entrevista ruim é uma entrevista ruim


Uma comédia bem divertida está passando no Telecine. Chama-se Morning Glory. A produtora de televisão Becky Fuller (Rachel McAdams) é uma jornalista e produtora de um jornal local. Demitida, formada numa escola de 2a linha, ela vai à luta procurando emprego e consegue trabalhar no Daybreak, um programa matinal com péssimos índices de audiência.

A personagem então tenta mudar o histórico do Daybreak, contratando um âncora de TV renomado, Mike Pomeroy (Harrison Ford), mas o cara é uma prima donna e se recusa a noticiar os temas que fazem parte da agenda do programa. Além disso ele tem problemas de relacionamento ao lado da “parceira” Colleen Peck (Diane Keaton).

Mas para esse blog, o que nos interessa mais é o processo de entrevista da personagem Becky Fuller com o suposto Diretor Geral da rede de TV. Interpretado pelo eterno “homem mosca” Jeff Goldblum, a entrevista da heroína com o carrasco é hilária.

Mas cheia de lições.

Quais?

Veja o filme.

Mas posso antecipar aqui.

  • Falar demais na entrevista.
  • Falar aquilo que o entrevistador não quer ouvir.
  • Tentar vencer pela emoção e não por argumentos objetivos.

Veja o filme. Além de hilário, é uma aula de como não se comportar numa entrevista. Mas que nesse caso, deu certo. A heroína foi contratada.

Viva hollywood!!

Claro… e se você se deparar na vida real com um entrevistador como esse?

O melhor caminho é ser você mesmo. Mas tenha sempre em mente o seguinte: alguém lhe contrata pelos motivos dele, e não necessariamente pelos motivos que você julga serem os mais relevantes. O importante é entender o que seu entrevistador, ou a pessoa chave nesse processo, quer do candidato em questão.

Tarefa difícil. Vamos abordar isso nos próximos posts.

Vamos em frente.

Se já viu, reveja. Jobs e suas lições de vida.


A vida de Steve Jobs vai virar filme. Isso muitos dos que acompanham a história do fundador da Apple já sabem.

Devem saber também que Ashton Kutcher (que substituiu não tão brilhantemente Charlie “Harper” Sheen em 2 1/2 Man) vai viver o papel de Jobs na sua fase jovem. O outro deve ser o também bonitão George Clooney.

Resgatei um antigo post meu sobre o discurso de Jobs para os graduandos de Stanford.

São três lições, que combinadas viram um poderoso mantra para a vida:
i. acredite que seus pontos irão se conectar em algum momento;
ii. se um tijolo cair na sua cabeça, tenha fé;
iii. não há razão para não seguir o que há no seu coração. Continue Lendo “Se já viu, reveja. Jobs e suas lições de vida.”

O pior chefe que ela já teve


O site CBS Money Watch apresenta um post assinado por uma colunista – Margaret Heffernan – intitulado “O Pior Chefe Que eu já Tive” (The worst boss I ever had).

No post a colunista conta que já teve um chefe chamado Hugh (Hugo, para nós) que era um péssimo chefe.

E ela ensina:

1. como identificá-los;

2. como lidar com eles.

De acordo com a colunista, chefes como Hugo apresentam as seguintes características:

– Vaidoso;

– Desorganizado;

– Exibicionista;

– Indeciso;

– Desonesto (ou mulherengo, se preferirem).

Como lidar com eles? As dicas da autora são:

i. entregue o melhor que você puder;

ii. encontre uma área de desenvolvimento pessoal;

iii. não ataque Hugo;

iv. procure outro emprego.

E aí, muitos Hugos pelo caminho? Tá cheio por aí…

O link é http://www.cbsnews.com/8301-505125_162-57411200/the-worst-boss-i-ever-had/?tag=nl.e713.

Siga em frente.

Programando na vida


Você já programou algum computador?

Eu já. Já fui programador. Aliás foi meu terceiro emprego: o 1o aos 13 era atendimento em um lugar que fazia cópias “xerox”; o 2o como boy no banco do brasil; o 3o foi no Itaú, onde aprendi a programar Cobol, depois PL/I e APL. Fiquei lá quase 10 anos antes de entrar na carreira executiva em consultoria e outras coisas.

Mas nada se compara ao que os jovens fazem hoje. E confesso que morro de inveja (positiva) quando vejo alguém programando em Java ou simplesmente configurando o HTML de um site.

Nesse contexto vejam o vídeo abaixo. Fala sobre isso.

É possível no Youtube ligar as legendas em português (com certa imprecisão, mas funciona).

Abraços. Siga sempre em frente.

17 motivos para mandar seu chefe à m….


Calma… não sou eu que estou falando.

Essa é uma matéria da VIP que peguei a partir de uma dica do twitter do Ricardo Lombardi:

17 reflexões para você repensar sua relação com o trabalho – ou mandar seu chefe à m…! http://vip.abril.com.br/boa-vida/carreira/17-reflexoes-para-voce-repensar-sua-relacao-com-o-trabalho-ou-mandar-seu-chefe-a-m/ … via@revistaVIP

A matéria foi feita a partir de um livro do jornalista Alexandr Teixeira, chamado Felicidade S.A, e apresenta 17 reflexões do ponto de vista do autor sobre ro trabalho.

O link da matéria é http://vip.abril.com.br/boa-vida/carreira/17-reflexoes-para-voce-repensar-sua-relacao-com-o-trabalho-ou-mandar-seu-chefe-a-m/. Leiam lá. Vale a pena.

Abaixo eu faço alguns comentários pessoais (em vermelho) sobre as 17 reflexões.

1. Enfrentamos uma epidemia de infelicidade. … A falta de motivação no trabalho é tamanha que, somente nos Estados Unidos, as empresas perdem US$ 300 bilhões ao ano. – Fato. Recentemente ouvi de um executivo de uma grande empresa: saio de casa sem a menor motivação. A falta dele acaba com a auto estima e reduz a produtividade. Como resolver isso? Do lado do profissional, tentar encontrar “poesia” apesar das idiossincrasias da organização (todas têm, umas mais outras menos). Do lado da organização, transformar o ambiente profissional em algo inspirador. Com a palavra os profissionais de RH, CEOs, Acionistas e executivos, os principais responsáveis para promover isso.

2. Deixamos a vida nos levar profissionalmente porque não sabemos o que queremos dela.Aqui vejo o seguinte: a materialização dos objetivos. Deixamos de querer fazer a diferença e pensamos em quanto queremos ganhar. Cada vez mais as pessoas vão fazer, estudar, trabalhar, aquilo que dá dinheiro, e não aquilo que os dá satisfação. É preciso ser pregmático, mas não adianta nada trabalhar em algo que pode dar dinheiro se você não gosta daquilo. Se não gostar, a chance de ter sucesso é menor. 

3. O significado é a nova moeda. … o que as pessoas mais procuram no trabalho hoje é um sentido para o que fazem das 9 às 18h, além de valores éticos claros em suas empresas. São os antídotos para a falta de propósito em nossos tempos. – Quisera fosse assim. Não vejo isso… pelo menos no meu meio.

4. “Ser o homem mais rico do cemitério não importa para mim (…) Ir para a cama de noite dizendo que fizemos algo maravilhoso (…) Isso importa para mim.” Steve Jobs. – Exemplo extremo. Infelizmente esse caso é uma exceção.

5. “Eu gostaria de não ter trabalhado tão duro.” Este foi o segundo arrependimento mais ouvido pela escritora australiana Bronnie Ware durante os anos que passou cuidando de pacientes terminais que tinham ido para casa morrer.  – Eu acho que o problema não seja o “trabalhar duro” mas não saber separar ou desligar das coisas. Eu trabalho em casa, à noite, aos finais de semana. Mas nos momentos que estou com esposa ou filhos, consigo desligar e curtir. Quando os meninos eram jovens e eu trabalhava fora do Brasil, ficava mais conectado com eles (via internet) do que muita gente que conhecia que saía cedo do trabalho mas não desligava. 

6. “Confiem no tempo, não o vejam como inimigo.” Nos primeiros anos como empreendedor, Antonio Luiz Seabra, o fundador da Natura, se sentia ausente da vida dos filhos. “Quando me dei conta, tinham crescido”, afirma ele. “Aos poucos, porém, fui compensando a ausência dos primeiros anos.”vale o comentário anterior.

7. “Saio do escritório todo dia às 17h30 e estou em casa para jantar com meus filhos às 18h.” Esta declaração de Sheryl Sandberg, a chefe de operações do Facebook, ganhou repercussão na imprensa americana.  – Sorry, nos ambientes profissionais que eu conheço, impossível manter essa rotina.

8. “A economia do crescimento consiste em estimular o consumo de coisas de que não precisamos para impressionar pessoas com quem não nos importamos.” … economista americano propõe uma economia na qual países e empresas não tenham a obrigação de crescer infinitamente. – Impossível. Acionista quer crescimento. Se não for de receita, de lucro. 

9. Sejamos menos produtivos. Uma semana de trabalho mais curta ajudaria a romper o hábito de viver para trabalhar, trabalhar para ganhar e ganhar para consumir. – Aí seremos felizes e desempregados… esquece.

10. “As pessoas ainda não estão se divertindo no trabalho.” O diagnóstico é de Wellington Nogueira, líder dos Doutores da Alegria, a ONG de palhaços que visitam hospitais para levar alegria a crianças internadas. – Importantíssimo. Saber manter um clima mais que amigável, mas de diversão. O difícil é fazer alguns entenderem quando a diversão tem que acabar…

11. Quanto maior a sua mesa, menos importante você é. – isso é um rótulo um tanto bobo. Me impressiona mais a próxima… “Não importa onde você trabalha. O que importa é o que você entrega”, diz o publicitário Sergio Valente. – Aí sim.

12. Trabalhar de casa resulta em 10% a 20% de aumento na produtividade do empregado. – Duvido! Gosto do home office, mas pelo menos em casa tenho que me policiar para não me distrair com outras coisas.

13. “Os fones de ouvido são a nova parede.” A sacada é do jornalista John Tierney, do New York Times. Cientistas já constataram e agora estão medindo a infelicidade e a queda de produtividade produzidas pela eliminação das paredes nos escritórios contemporâneos. Se não podemos evitar que nos ouçam, fazemos o melhor possível para não ouvir os demais. – Nunca tinha pensado nessa. Os ambientes profissionais são cada vez mais agradáveis, amplos e sem paredes (exceto em alguns lugares ainda na era das cavernas). Mas nunca tinha me dado conta que o fone de ouvido do zezinho ao lado era para ele ter a sua privacidade… vou ficar atento.

14. “Tire seu sonho da gaveta” é o bordão do Laboratório Sabin, o maior em análises clínicas do Centro-Oeste, desde 2002.  – Isso sim! E poderia ajudar com “tempo” para explorar novos negócios, como faz o Google.

15. “Odeio sacrifícios, seja para mim ou para os outros.” A frase, acredite, é de Abilio Diniz, presidente do conselho do Grupo Pão de Açúcar, que já foi um dos empresários de estilo mais agressivo do Brasil. “As pessoas têm de trabalhar, apresentar resultados, ser pragmáticas e objetivas, mas têm de fazer tudo isso com alegria.”É por aí!

16. “O caminho mais rápido para receber alguma coisa do mundo é entregar a ele.” Sergio Chaia, presidente da Nextel, aprendeu esta máxima ao adotar a filosofia de vida budista. Quer ser promovido? Promova. Quer arrumar um emprego? Arrume um emprego para alguém. A lei do budismo é de causa e efeito. Carma positivo e carma negativo. Tudo o que você faz pelo mundo, de alguma maneira, em alguma vida, você recebe de volta. – Hummmm… discurso bonito né? Será que “fora da matrix” é assim mesmo? Sou um cético…

17. A felicidade no trabalho é o aspecto mais negligenciado do debate sobre sustentabilidade. Faz sentido para uma empresa se preocupar com o meio ambiente enquanto seus funcionários vivem existências infelizes dentro dela? – Felicidade no trabalho. Deveria ser lei. As pessoas deveriam trabalhar com felicidade. Não se trata de grana, mas de clima, motivação, reconhecimento. Pena que poucas empresas estão nessa. Mas o rio corre pro mar… vamos chegar lá.

E você: como vê a felicidade no trabalho? Está longe? Está perto?

Vamos em frente!

Heineken, de novo. Vídeo do processo de seleção.


Processos de entrevista para um novo emprego são sempre estressantes. Não importa sua idade ou experiência prévia.

A Heineken fez algo diferente para trazer pessoas, digamos assim, “com entusiasmo”.

Do you think I am getting infected by your enthusiasm?

Preparando-se para uma entrevista


Um dos momentos mais importantes no processo de busca de emprego é a entrevista.

Especialmente para jovens, com pouca vivência no tema, a entrevista é um momento de certo estresse.

O site CBS News em sua seção Money Watch publicou um post com nove dicas para quem vai dar uma entrevista.

Aqui eu reproduzo essas dicas e coloco um pouco de tempero com as minhas.

O link original é http://www.cbsnews.com/8301-505125_162-57450010/9-tips-to-prepare-for-a-job-interview/?tag=nl.e713.

Enjoy it.

***

Check Twitter one last time.
O artigo sugere que antes da entrevista você leia o web site da empresa (isso me parece meio óbvio, você tem que conhecer a empresa) e também leia o twitter dela. Isso é uma dica legal, pois no twitter as notícias são atuais e qualquer movimentação relevante da empresa estará lá.

Comentário: leia o twitter, a fan page do facebook, o web site. Dê um Google no nome da empresa. E fique antenado sobre tudo que está acontecendo com ela.

Check yourself out, too.
Faça uma última checagem geral em você mesmo. Uma última olhada no espelho antes de entrar na arena da entrevista. Se você está sendo entrevistado após o almoço e não teve tempo de escovar os dentes. Uma olhada se está tudo “em ordem” no visual é importante.

Comentário: sem querer parecer escatológico, nada pior do que ir para uma entrevista levando um pedaço de rúcula consigo. Para isso já inventaram aquelas escovas de dente que você dobra  e coloca no bolso do paletó, bem como uma pequena pasta de dente, dessas que parecem de estojo de avião. Chegue antes do horário marcado (cerca de 10 minutos está ótimo), e se você vem de um almoço onde não deu tempo de escovar os dentes, faça rapidinho. Aproveite e dê uma geral no visual como um todo.

Respect the front desk.
Essa dica me parece desnecessária para pessoas educadas e gestis. No artigo orienta para não destratar uma recepcionista pois ela pode servir de fonte de informação para o entrevistador. Eu sugiro apenas boas maneiras e respeito. Independente dela (ou dele) ser informante ou não. É pura educação.

Comentário: Tem um negócio que aprendi desde os tempos de consultoria. Não seja apenas educado. Seja simpático. Com todos. Procure mostrar um outro clima quando você chega nesses ambientes. Acredito que seja importante ser lembrado por todos, do recepcionista ao presidente da empresa, como uma pessoa de alto astral e positiva.

Use the bathroom beforehand.
Essa dica parece algo tão óbvio quanto ridículo. Vá no banheiro antes.

Comentário: essa era dispensável hein?

Scope out your competition.
Fique de olho na concorrência. Olhar ao lado e ver se alguém está saindo quando você chega ou chegando quando você está saindo pode ajudar a perceber com quem você está competindo nessa vaga.

Comentário: Pode também indicar como você foi na entrevista. Tempos atrás fui entrevistado numa empresa por um vice-presidente. Minha entrevista atrasou um pouco e percebi a chegada de um potencial competidor. Depois da entrevista fui ter uma conversa rápida com um dos acionistas. Na saída notei que este acionista dispensou a entrevista posterior. Isso era um bom sinal.

Check out the scenery.
Olhe em volta e capte informações do ambiente. Às vezes conversas, quadro branco, flip chart, tem informações que podem ajudar na entrevista. Por exemplo perceber algum problema que eles estão lidando naquele momento pode servir de base para você se vender melhor. Isso é o que diz o artigo da CBS News.

Comnentário: Cuidado: você não está lá para espionagem ou para bisbilhotar.

De qualquer forma na espera não deixa de perceber o ambiente, como as pessoas se vestem, como elas conversam, veja se tem revistas internas e leia. Essas coisas contam muito sobre a empresa e a cultura interna.

Get your mind revved up.
Manter sua mente acelerada. O texto aqui – se não cometo nenhuma gafe na tradução – recomenda que o candidato esteja “ligado” desde o início. Em muitas entrevistas o entrevistador forma a opinião nos primeiros minutos. Se você estrar desconcentrado e pouco ativo, pode passar uma impressão inicial que será definitiva.

Comentário: quando eu entrevisto, na maioria dos casos, em 5 minutos eu costumo saber se aquela entrevista vai prosperar ou não. Por isso estar atento e ligado na chegada é fator crítico para o sucesso da entrevista. Fique ligado.

Organize your grand entrance.
Organize sua entrada. A situação de entrevista – pelo menos inicial – é razoavelmente previsível. Então esteja preparado para ela. Entre pronto para apertar a mão de alguém, não carregue muitas coisas e se estiver carregando deixe sempre uma mão livre para cumprimentos, puxar cadeira, essas coisas. No artigo o autor lebra que um candidato estava com meias de Mickey Mouse e o desconcentrou durante toda a entrevista.

Comentário: nunca entre com as mãos cheias de coisas. Nunca! Deixe sua pasta, mochila, e outras coisas no carro ou mesmo na recepção. Na entrevista você é o foco. Quando muito leve uma pasta simples se estiver carregando seu CV para entregar. E mais nada. E por favor, meias brancas e de Mickey Mouse, nem pensar.


 

Smile like you mean it.
Sorria e demonstre confiança. Essa é a última dica do artigo na CBS Money Watch.
Demonstrar confiança, sorrir, isso ajuda a criar empatia com todos. Por outro lado o nervosismo pode deixar você hesitante, pouco confiante e passar uma imagem menos simpática.

Comentário: prepare-se, injete uma dose de confiança, abra um sorriso mas cuidado com os exageros, aperte a mão do entrevistado firmemente, demonstre segurança.


Algumas outras dicas daqui deste humilde autor deste blog:

Chegue 15 minutos antes. Não chegue uma hora antes. Além de pouco elegante, demonstra uma ansiedade enorme. Nunca, jamais em tempo algum chegue atrasado.

Ansiedade: controle ela! Fale o suficiente, não se encante com o som de sua voz.

Dress code: terno e sempre terno e você nunca será condenado por usá-lo, mesmo que for numa agência e seu entrevistador usar camiseta, calça vermelha e tênis amarelo. Na dúvida, vista algo conservador.

Antes de sair de casa, prepare-se. Tenha em mente o que falar e esteja pronto para perguntas mais que chavão: “por que você saiu do seu último trabalho; o que você espera daqui; como você acha que pode ajudar a empresa; quais suas virtudes e seus pontos fracos”. São perguntas que estão na lista de 9 entre 10 entrevistadores.

E acima de tudo: entre e saia confiante. É uma entrevista, onde além do entrevistador escolher você, você também escolhe a empresa.

E boa sorte na luta.

Vamos em frente.

A segunda pior entrevista na carreira


Esse é um espaço também para falarmos sobre carreiras. E você só começa (ou dá continuidade a) uma carreira se você é admitido em algum processo seletivo.

Nada mais estressante: o sujeito tá lá, precisando de um emprego, ou mesmo ele está empregado mas tem interesse naquela nova posição, e tem pela frente um entrevistador na frente.

Já fiz várias entrevistas. Muitas mesmo. Boa parte delas como entrevistado, outras como entrevistador.

Mas no papel de entrevistado, puxando pela minha memória, tenho várias histórias de sucesso. E outras  de fracasso. Aliás, numa rápida consulta a vários amigos, descobri que não sou o único a passar por entrevistas que seriam hilárias, não fossem trágicas. Se bem que tempos depois eu aprendi a dar muita risada sobre elas.

Mas quase nenhuma supera uma que fiz alguns anos atrás. Foi a minha 2a pior entrevista na carreira. Mas cheia de lições. Vamos a ela.

Após passar por uma primeira entrevista com um diretor-sócio-intergalático de uma grande empresa de consultoria-auditoria, ele julgou que eu era “o cara” para assumir uma função em uma diretoria da empresa, ligada a projetos de investimento em infra-estrutura por conta dos mega-eventos (Copa, Olimpíadas, essas coisinhas).

O problema: havia já um diretor-sócio na área, subordinado a esse intergalático, e claramente ele era o cara que mandava na área. Mas eu poderia fazer parte da equipe, naturalmente subordinado a ele, para ajudar nos projetos.

Sem problemas para mim. Depois de um certo período na vida você se importa mais com a conta-corrente e o tipo de trabalho que tem a fazer, do que com o cargo no cartão de visitas.

Mas antes eu teria que passar por uma entrevista com o sujeito “dono” da área. Natural. Eu não poderia trabalhar com alguém sem antes ser sabatinado por ele.

Chego no escritório do meu entrevistador no horário combinado menos 10 minutos. Aliás, cabe aqui uma dica básica: nunca atrase uma entrevista. Também não chegue uma hora antes. Isso é tão horroroso quanto atrasar.

Vamos em frente. Aguardando na sala ao lado, percebo que meu entrevistador conversa na sala dele animadamente com alguns consultores. Nove horas, nove +10, +20, finalmente ele me chama para conversar, pouco mais de 20 minutos atrasado. Deselegância da parte dele, pensei com meus botões do terninho básico. Dirigi-me para a sala dele já desligando celular e ativando o cérebro.

Antes, uma outra dica: aprendi nessa bendita vida corporativa que qualquer reunião, qualquer entrevista, qualquer evento corporativo, você tem que estar minimamente preparado para abordar os assuntos possíveis da conversa. E isso inclui uma profunda análise na empresa em questão. Uma boa “googleada” vai ajudar. Não fique apenas no web site. Procure notícias recentes da empresa, veja o que fala seus executivos na mídia, quais os últimos movimentos, essas coisas.

Além disso, uma entrevista é antes de tudo um evento de 40 minutos, uma hora, que pode mudar sua vida profissional. Portanto é importante uma total concentração. Imagino como um lutador de UFC, tirando as porradas físicas, claro. Ou seja, cada palavra, cada gesto, cada pergunta que você fizer, conta tanto quanto cada resposta dada e pode significar a diferença entre avançar no processo, ou morrer ali.

Já me dei mal em excelentes oportunidades exatamente por não seguir essa lição.

Em frente ainda. Entrei no octógono da entrevista. Eu e meu entrevistador, frente a frente.

Depois do quebra-gelo inicial – bom dia, como vai, tudo bem, bla bla bla, sempre dirigido por ele (não esqueça, você é o entrevistado, logo o entrevistador comanda o show.

Ele termina as preliminares e ele pára olhando atentamente ao meu currículo.

– Quer dizer que você é economista? Não gosto de economistas. Não gosto de trabalhar com eles!

Ainda achando que se tratava do “quebra-gelo” ou algum tipo de brincadeira, eu sorri e perguntei passando um pouco mais a fronteira da formalidade que uma reunião dessa merece:

– Nossa, você não gosta por causa dos diversos planos econômicos do Governo ou por outro motivo?

E ele respondeu fazendo questão de deixar claro que não estava brincando:

– Não gosto mesmo! Prefiro engenheiros. Eles são mais cartesianos. E bla bla bla bla….

Após me recuperar rapidamente da porrada no fígado e quase ouvindo a galera de fora do octógono vibrando com a minha dobrada de joelhos, adotei o tom novamente sério e o rosto firme, olhando nos olhos do meu agora não mais entrevistador, mas quase um adversário.

– Bom, então vamos ter um problema. Taí um negócio difícil de eu mudar no meu cv…

Bang! A resposta pode até ter sido boa, meu agora adversário tinha sentido o golpe, mas para o bom andamento da entrevista, tinha sido um desastre. Confrontar o senhor dos aneis naquele momento, com menos de 5 minutos de jogo, foi considerado movimento proibido pelo adversário – que acumulava a função de árbitro do encontro – e sujeito a desqualificação.

A partir daí azedou de vez. Eu tentei recuperar o controle do processo – assunto para outro texto – mas não conseguia. Claro, o fato do entrevistador falar coisas que eu não conseguia entender não ajudou muito o processo. Ele foi para um quadro branco e – entre claros sintomas de arrogância aguda e pouca modéstia – começou a desenhar a maneira como ele via a oferta de serviços de consultoria para os grandes gestores dos mega-eventos e entrou num consultês que até para mim – que tenho algum tempo na área – passou a ser uma conversa de louco. Eu procurava insistentemente as legendas na parte de baixo da tela. Em vão…

Em quase todos os casos a conversa sempre caía para o tema dos “pouco competentes economistas” que por sinal, era o meu caso. Quase patológico…

Mas o gran finale estava ainda por vir. Após quase duas horas numa conversa nonsense, onde metade do tempo foi ele tentando me provar que engenheiros são melhores profissionais que economistas, e na outra metade falando coisas absolutamente sem sentido para mim, ele soltou essa:

– Vicente, seu currículo é muito bom, mas eu preciso pensar um pouco mais; tenho uma viagem semana que vem para Dubai, outra depois para a Europa em nossa reunião mensal da rebiboca da parafuseta, mas quando eu voltar eu gostaria de outra conversa com você. Nesse tempo você poderia fazer um cv mais completo e me enviar para eu estudar melhor?

Eu já estava sem muita paciência, e coloquei a última pá de cal sobre meu processo:

– Fulano, você me desculpa, mas eu já entrevistei muita gente e também já fui entrevistado por muitos. Geralmente eu sei se eu quero trabalhar com um candidato nos primeiros cinco minutos da conversa. Dali prá frente serve apenas para eu aprofundar meu conhecimento sobre ele ou arrumar uma maneira de acabar a conversa elegantemente. Se você ficou aqui duas horas comigo conversando e ainda tem dúvidas, é porque a gente não vai se dar bem trabalhando.

Dito isto, levantei-me, estendi a mão e segui minha vida. Tempos depois soube que o sujeito tem sérios problemas com sua equipe e com alguns de seus pares, além de problemas de resultado. Mas ele continua lá, inclusive com direito a promoção e tudo o mais. Ironias da vida corporativa.

***

As lições desta conversa:

i. não entre em confronto com seu entrevistador; não vai ajudar;

ii. não leve para o lado pessoal; qualquer feed back do lado de lá deve ser assimilado e não tirar você do seu foco; respostas emocionais levarão a um terreno onde você pode não saber jogar e o desviarão do seu objetivo central;

iii. por falar nisso, tenha sempre em mente qual o seu objetivo naquela reunião; nada deve tirá-lo desse objetivo; como em qualquer plano de jogo, se as condições do campo ou do seu adversário mudarem, você tem que saber mudar sua tática;

iv. qualquer entrevistador vai contratá-lo pelos motivos “dele” e não pelos seus motivos. Então, se ele não gosta de algo no seu histórico, cabe a você provar a ele que isso não seria um obstáculo para atingir os resultados “dele”.

Difícil? Bastante. Mas nem sempre as coisas funcionam do jeito esperado. E no limite, se tudo der errado e você for “gongado”, vale a pena pensar no seguinte: por mais que você quisesse aquela posição, trabalhar com alguém que você não tem empatia pode ser algo muito ruim prá sua carreira no médio prazo. Então há males que vêm prá bem.

Vamos em frente!